segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Como F.R.I.E.N.D.S me inspirou a olhar a vida de um modo mais engraçado para superar os problemas

Acho que eu tinha dezessete ou dezoito anos quando eu estava sentado na cozinha de casa tendo talvez a minha primeira crise existencial. Eu acabara de me converter ao cristianismo ouvir todas aquelas coisas maravilhosas sobre salvação e a grandiosidade de Deus. Ao mesmo tempo, eu olhava ao meu redor e conhecia pessoas incríveis com muito a oferecer para o mundo. Eu acreditava que eu não tinha nada de interessante a oferecer. Eu não tinha nada para oferecer ao mundo naquela época (não que as coisas tenham mudado muito).




Nessa mesma época eu estava viciado em F.R.I.E.N.D.S e sitcoms. O que eu mais gostava em F.R.I.E.N.D.S é que a vida daquelas pessoas eram completamente comum. Igual a de todos nós, com altos e baixos. Percebi que, na verdade, F.R.I.E.N.D.S podia muito bem ser uma história trágica e monótona. Mas David Crane e Marta Kauffman, os criadores da série, optaram por contar suas rotinas de jovens-adultos de uma forma cômica. 
F.R.I.E.N.D.S faz piada do comum e do ordinário que acontece com todos nós. Fato interessante: O titulo original da série era para ser Friends like us (amigos como nós), pois a ideia era realmente mostrar um grupo de amigos que todos nos identificamos, baseados em suas próprias experiências de vida.

Conte sua vida da maneira como você quer que seja contada.

Bem vinda ao mundo real. É uma droga. Você vai amar

Isso me despertou para uma ideia. Minha vida seria contada da maneira como eu escolhesse vê-la. Então eu podia chorar a minha existência até isso me consumir, ou eu podia rir de tudo e me fazer de idiota para gerar mais piadas. Isso não é uma decisão que qualquer um pode fazer, contudo. Algumas pessoas, mesmo se esforçando, precisam de ajuda para enxergar a vida de uma maneira mais positiva. Por sorte, aquele não era meu caso.

Desde então eu preferi olhar minha vida como um imenso sitcon. Já que eu não poderia oferecer nada de útil à humanidade na época, espero ao menos render algumas risadas com as coisas que acontecem comigo. E algumas vezes, isso deu certo.

E com mais de dez anos nessa experiência eu percebi uma coisa:

Rir da própria desgraça é um mecanismo de defesa

Ao rir de mim mesmo eu me sinto forte. Ao zombar de algo de ruim que acontece em minha vida sinto que demonstro aos problemas que eles não vão me abalar tão facilmente. 


Diminua os problemas ao zombar deles

Oh, e fica pior

Toda vez que algo bizarro ou ruim acontece comigo eu tenho a opção de me preocupar ou de não me preocupar com aquilo. Ao me preocupar, eu automaticamente transformo aquele problema em algo ainda maior. Eu crio um sobrepeso desnecessário. Ao invés de pensar em soluções, eu pensava em mais problemas.

Em contrapartida, quando eu olhava a situação de modo mais cômico, era mais fácil diminuir os impactos daquele problema em meu dia-a-dia, manter meu humor e sanidade mental o suficiente para definir como superá-lo, contorna-lo ou prosseguir com as falhas (por que nem todos os problemas nós conseguimos resolver).

Essa atitude me ajuda a perceber que, em vários casos, estou me preocupando demais com algo, ou, em outros casos, me preocupo com coisas que simplesmente não posso fazer nada a respeito. E está tudo bem.

Não quero que pensem que isso é conformismo. Não poder fazer nada a respeito não significa que devemos apenas aceitar nossa miséria, mas que devemos pensar em outras formas de continuar, mesmo com coisas que não podemos resolver.

O princípio 90/10

O escritor norte-americano Stephen R Covey criou uma ideia que ele batizou como o “princípio 90/10”.

Segundo Covey, 10% da sua vida está relacionada ao que acontece com você. Os outros 90% estão relacionados à maneira como você reage às coisas que acontecem com você. Ou seja, existem coisas em nossa vida que não temos controle. Elas simplesmente acontecerão. Mas a maneira como reagimos à elas, mudam completamente nosso dia.

Todos os problemas à nossa volta acontecem sem que tenhamos o controle daquilo. Reagirmos de modo estressado ou angustiado, pode tornar nosso dia ainda pior. Porém, reagindo de maneira calma e positiva, de fato pode tornar nosso dia melhor e transformar aquele problema em oportunidade.

Sempre que problemas acontecem em minha vida, eu tento reagir à eles de forma cômica inicialmente. Isso me ajuda a perceber que aquilo não é o fim do mundo.

Disfarçar minhas inseguranças

Eu sou Chandler. Eu faço piadas quando me sinto desconfortável

Outra utilidade do humor é disfarçar minhas próprias inseguranças e medos. Todos tem medos e todos somos inseguros. Sempre que assisto um filme de terror o que mais faço é piadas sobre o roteiro, as cenas, ou as coisas que acontecem. Acho que meus amigos podem afirmar que assistir um filme de terror comigo é uma experiência bem engraçada.

As inseguranças sobre minha vida e minhas qualidades continuam a me perseguir desde os 18 anos. Insegurança é algo que todos nós temos e sempre teremos. Surpreendentemente são as coisas que eu mais faço piadas. Sobre meus fracassos.

Não é a toa que em meus diários no facebook eu abordo tudo de maneira cômica. Chegaram até a me dizer que minha vida parece desventuras em série. E são. As vezes quando conto algo que aconteceu comigo par meus amigos recebo junto com as risadas comentários de que esse tipo de coisa só acontece comigo.

E só acontece comigo por que ao invés de permitir que problemas ocorram em minha vida eu os transformo em oportunidades de comédia. Como em uma vez em que fui assaltado com meu primo e, surpreendentemente o ladrão devolveu o troco do assalto para podermos voltar para casa. Ou em outra vez que um cliente não quis mais meu serviço pois iria fechar o escritório para vender Hinodê.

Ao invés de me assustar ou chorar sobre o leite derramado, tudo o que pude fazer é seguir em frente. Eu não tenho controle sobre essas situações. Mas olhar para essas coisas como se fossem um episódio de F.R.I.E.N.D.S me ajuda a seguir em frente sem muitas preocupações com o que não tenho controle.

Grande parte dessas situações me fazem questionar sobre minha capacidade como pessoa e profissional. Mas com um pouco de bom humor, reprimo essa insegurança, admito que sou um lixo e me esforço para ficar melhor.

Desafie-se

Eu não sei o que vou fazer com minha vida

Há inúmeros estilos de histórias: comédia, drama, terror, aventura...

Tente experimentar sua vida de de diferentes formas. A verdade é que nossa vida é um misto de todas elas. Contudo, o direcionamento do seu foco é o que pode definir a perspectiva que você terá sobre sua vida. 

Quanto à F.R.I.E.N.D.S, se pararmos para pensar, todas as situações presentes na série (e em quase todas as sitcom) são coisas do cotidiano que acontecem em algum momento em nossas vidas. Por isso que nos identificamos tanto com os personagens. Por que no fim das contas, o que eles vivem são coisas parecida com o que nós vivemos. Mas o foco alí é enxergar os eventos do dia-a-dia de uma forma cômica.


Mas novamente, preciso dizer: Nem todo mundo consegue agir dessa forma sozinho. Se for o seu caso. Procure pessoas que se importam com você ou um profissional.

Eu escolhi viver de forma cômica. Isso não significa que nunca tenho momentos tristes. há momentos em que não consigo melhorar com uma piadinha. Mas boa parte deles eu tenho ver de modo mais alegre. E você? Como quer que sua história seja contada?

Aliás. Para quem tem interesse. Todas as temporadas de F.R.I.E.N.D.S estão disponíveis na Netflix.

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